O pequeno ser fitou a Árvore de Natal com seus imensos olhos marrons. A árvore havia se partido há muito e consertada com desprezo apenas pela conveniência de que estivesse ali. Mas, ainda assim, deixava o tenro ser maravilhado.
Aprendera os rudimentos da leitura por si só e preferiu esconder, porém, mais cedo ou mais tarde, tudo viria à tona. Na sua ignorância infantil, não tinha idéia de como isso seria assombroso para as cobras. Cobras estas que olhariam-no torto e destilariam pesadas acusações injustas. Mas a natalinas bolas vermelhas continuavam penduradas.
Olhou para a tela do computador. Dominara ao teclado e mouse, assim como aos livros, e colocara os maternos equívocos em xeque ao diferenciar as bandeiras. Um roxo hematoma dolorido surgira em seu imaculado e macio corpo como conseqüência da tentativa de alçar vôo pulando do sofá. Rudolph era uma farsa. Mas já não importava, o pequeno garoto havia cortado a rede de proteção da janela e atirado a tesoura por ela.
Não estava ciente da morte, tampouco da dor. Arrancara cada um de seus dentes de leite por si só, e assim continuaria pelo resto de sua inocência. Não temia o sangue, tocá-lo pela primeira vez não mudara sua conduta. Iria continuar quebrando a sua consciência.
Quase quebrara um dedo. A ginástica olímpica começava a agredir seu pequeno corpo, mas já assistia televisão, sem se lembrar do motivo do choro. Roeu uma unha.
Papai Noel sorria. O imaculado infante riu. A vida é realmente bela.
Um comentário:
excelente texto, embora eu não mais seja um ser infante, as árvores de natal ainda me causam fascínio.
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