segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Mind thy Manners
Girava e Girava
girava
girafa e Girava
Girafa na garrafa
Girava
Girava e
Garrafa e
girafa e
garrafa e
girava girava girava
e GRITAVA
E então se quebrou.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Ele a caçava como um leão caça sua presa.
Nada mais servia, nada era bom o suficiente.
Ofereceram-lhe algo muito bom, mas nunca conseguiram dar-lhe o que queria. Nunca conseguiam agradá-lo.
No final, morreu faminto e sedento, porque foi orgulhoso demais para aceitar que nunca conseguiria o que tanto ansiava.
domingo, 16 de novembro de 2008
Memórias de um Stalker
Que com raiva assistia.
E sim, era complexo...
Entender o que acontecia.
Nem mesmo sendo stalker
Consegui descobrir,
Se era um " I like her "
Ou se ele teria que cair.
Mas logo percebi,
que não valia a pena.
me consumir...
E no " Não paga a pena ",
me deixei levar...
Pr'assim viver feliz...
N'outro lugar.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Ele não tinha razão para se importar.
Ele chegou correndo, ofegante, onde a menina estava.
-Você me traiu !
-Eu, não…
-Isso não foi uma pergunta .
-Como você… ?
Ele não precisava mais ouvir palavras imundas. Sacou sua arma e deu um tiro certeiro, a queima roupa, no meio do peito da jovem. Seus olhos verdes perderam o brilho no momento em que seu corpo inerte tocou o chão. Mas ele não queria saber. Ninguém nunca tinha ferido sua dignidade daquele jeito. Agora não tinha sobrado ninguém para contar a história. Ninguém saberia desse incidente desagradável.
Ele deu as costas ao corpo sem vida da mulher. Mesmo morta, ela lhe dava nojo. Pelo menos agora, ele poderia dormir em paz.
As perversidades que vagam abertamente no mundo se infiltram sutilmente nas mentes que perambulam desocupadas, na maioria dos casos, são sorrateiras e não pedem permissão para entrar. É do inconsciente que vem todo caos que assola os desavisados com surtos e crises, complicações às quais foram dados nomes clínicos como “compulsivo obsessivo, maníaco depressivo, esquizofrênico, transtorno borderline, etc.” Todos são invasores caóticos do cotidiano mundano que flui por aí.
Kenny era um cara legal. Tinha uma esposa legal, um carro bom. Bom demais para a classe média. Não tinha filhos para se preocupar, tinha um ótimo trabalho. Total segurança e estabilidade. Uma rotina de vida meio monótona, mas o sexo com a sua esposa Olívia não estava nem perto de atingir a decadência do casamento institucional. Ele tinha tudo, inclusive a tranqüilidade de uma mente passiva. Eis seu pecado.
Kenny mantinha erguida a carapaça da satisfação total de um homem bem-sucedido de classe médio-alta. Mas no profundo das suas entranhas ele digeria devagar as suas próprias motivações existenciais. Kenny só conseguia dar uma cagada a cada cinco dias, ele passava a semana inteira constipado sorrindo para os vizinhos e se passando por um marido carinhoso e compreensivo. Ele estava prestes a explodir.
Um dia Kenny chegou mais cedo do trabalho
– Oi, querido. Você chegou cedo hoje. – ela então percebeu as calças de Kenny e deu uma risadinha. – Tem alguma coisa no seu bolso, querido?
Ele andou até a cama e sentou na beirada colocando a mão sobre a perna dela. Ele tirou a gravata e a jogou no chão, tirou os óculos e os colocou no chão. Ela fechou a revista e a jogou na cadeira do outro lado do quarto.
– Querido, você está bem? Está um pouco estranho.
– Querida, – ele disse – vamos trepar.
Ela riu sacudindo a cama e expondo mais aqueles peitos maravilhosos demais para uma dona de casa.
– Querido, você realmente não está bem. O que aconteceu? Você quer conversar? Vamos, você pode falar comigo.
Kenny desabotoou o primeiro botão da camisa e arrancou o segundo e o terceiro com força, então ele tirou a camisa por cima e se lançou em cima de Olívia, se colocando entre as pernas dela e segurando seus braços contra a cabeceira da cama. Ela não teve muito tempo para reagir fisicamente.
– Kenny, que caralho você está fazendo?
– Eu disse que queria trepar, querida.
– Kenny, que porra. Me solte!
Ela começou a se contorcer, mas não adiantou muito. Ele tentou beijá-la, mas ela virou o rosto, ele então começou a lamber os peitos dela e a se esfregar entre as pernas dela, mexendo os quadris. De fato ela estava sem calcinha. Ela fez caretas e se contorceu o máximo que pode tentando se libertar até que então soltou um pequeno gemido suspirado e carregado do que parecia dor. Kenny então parou de se mexer e se ergueu, ainda em cima dela. Ele olhou para a ela e ela continuava a se contorcer e fazer caretas, ele soltou uma das mãos dela, que estava um pouco vermelha, e ela o acertou no rosto começou a puxar o cabelo dele. Ele desceu sua própria mão livre e a colocou entre ele e ela. Mexeu um pouco os dedos, ela afrouxou o puxão. Ele retirou a mão a aproximou do rosto e esfregou os dedos. Ela suspirou tentou tirar ele de cima e então dolorosamente falou:
– Kenny, pare com isso. – a respiração dela estava ofegante e ela não abria os olhos direito.
– Você está gostando. – ele disse, abrindo um sorriso cheio de malícia – Você está gostando! – ele deu uma risada e voltou a fazer os movimentos colocando a boca no pescoço dela.
Ela tentou puxar o cabelo dele, arranhar suas costas, bater em suas costas, puxar sua orelha, mas ela não tinha força o suficiente e não pode conter o segundo gemido mais alto e mais suspirado.
– Kenny, pare.
– Você está gostando.
– É, mas você está me machucando.
Ele a ignorou e continuou, usando sua mão livre para apertar os peitos dela e subir mais a camisola. Ela agora só arranhava as costas dele, então ela mordeu a orelha dele. Ele se assustou e parou por um segundo, mas a mordida não era ameaçadora e ela não fazia menção de que iria arrancar um pedaço fora. Ele continuou se movendo.
– Tudo bem, Kenny. Tire logo a calça.
Ele se ergueu e deu um tapa com força na cara dela.
– Não me dia o que fazer, sua vagabunda!
Ela soltou um pequeno grito e seus cabelos bagunçados tamparam seu rosto. Kenny rolou na cama segurando ela e a manteve em cima dele. Ela não tentou se livrar, apenas escorregou as mãos para baixo e começou a desabotoar o cinto dele.
– Isso mesmo – ele disse –, seja boazinha.
Os dois foram muito violentos durante todo o ato. Kenny gozou e a jogou de cima dele para fora da cama. Ela caiu no chão e então começou a chorar. Enquanto ela soluçava ele se levantou e se dirigiu ao banheiro, se limpou com a toalha e começou a apreciar as marcas de mordidas e arranhados que marcavam seu peitoral, pescoço e costas. Enquanto isso ela soluçava no quarto, ainda no chão.
Kenny saiu do banheiro e começou a se vestir. Ela levantou a cabeça e perguntou:
– Aonde você vai?
– Embora.
– O que? Você chega aqui, me estupra e diz que vai embora.
– É.
– Você ficou louco Kenny? Que porra há de errado com você?
– Cale a boca.
– Vá se foder, seu louco! – ela se levantou e se atirou em cima dele da maneira mais frenética e escandalosa que uma mulher consegue.
Ela teve tempo apenas para golpeá-lo um pouco. Ele agarrou a cabeça pela nuca e a bateu na parede duas vezes. A puxou para trás e olhou o rosto dela com a testa ensangüentada. Ela parecia desmaiar. Ele repetiu umas vezes o movimento e a soltou. Ela caiu pesadamente.
Ele terminou de se vestir, tirou as chaves do seu Ford do bolso e as jogou pela janela. Desceu as escadas rumo à cozinha, pegou seus sapatos e saiu pela porta da frente.
Em teoria os distúrbios são apenas distúrbios, mas na prática, eu gosto de compará-los a demônios. Como disse antes, eles vagam por aí e ocasionalmente quando se encontram com alguém fraco o suficiente tomam conta dele e extraem a capacidade de prática de moralismos falsos e de raciocínio de bom senso. A situação se parece com uma possessão ou encarnação. Pode até ser que seja a revelação do verdadeiro cunho e essência de alguém reprimido pela mediocridade da existência indesejada e inevitável.
Fui convidado a postar a no Unilateridade exclusivista hoje,
e sem saber o que escrever... fui ler algumas frases do genial Oscar Wilde...
eis que tive uma idéia:
" Aonde vocês vêem um pênis e uma vagina, eu vejo um coração. "
- Oscar Wilde
No entra e sai da vida...
[Não há moral,
[Não há bom senso,
Mas, apesar de tudo,
existe apenas um consenso:
Seja qual for a nacionalidade,
Seja qual for a idade,
Toda mamãe,
É virgem de verdade.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Sentados num abismo à beira mar. No crepúsculo.
Não vemos a água, nem mesmo ao longe. Sublimamos ao infinito.
Sabemos que estamos à beira-mar pois ouvimos a rebentação das ondas. Respiramos fundo.
Tudo o que sabemos é que viveremos eternamente. Morremos a cada segundo.
Alguém se aproxima.
Sua cabeça badala.
A grama se deixa esmagar, humildemente.
Seu corpo se esvai.
Tudo.
Almíscar corre por suas veias.
Seu hálito é cristalino.
A imensa sombra movimenta-se por detrás do infinito. A lividez de seus joelhos me deixa abismado.
A solidão daquele imenso ser era audível a nós, pois seus gritos ecoavam pelo Limbo.
Mas ouvíamos a ele desde o Umbral, temos certeza.
Quem poderia ter construído aquelas imensas correntes? Afim de que causaria tanto sofrimento àquele ser de seis braços?
A pequena menina corre com suas ovelhas, não por diversão.
O Lobo vem aí.
A redonda maçã rola pelo chão, não por intenção.
O Corvo vem aí.
A bela borboleta penetra a flor, não por satisfação.
O Fogo vem aí.
E, nisso, o Planeta vem abaixo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Meu maior medo.
Sentiu-se flutuar como se elevado por um guindaste.
Um pequeno lembrete:
Fui publicado aqui com um texto de teoria política.
Divirtam-se.
sábado, 4 de outubro de 2008
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L’amour est une Douleur
O amor é dor
Machuca
Educa
Porém, é amor
O amor é calor
Arde
Fere
Porém, é amor
Se meu destino é amar
Aceitá-lo-ei
De bom grado, vou amar
De amar não morrerei
Vou me lembrar
De tudo que a ti doei
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Le Premier Baiser
Olhei fixamente em seus lábios
E beijei-os com toda a intensidade que era possível
Ou conviesse.
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Le Sexe
Encara-me
Se tens coragem
Encara-me
Chama-me
Desprezou-me, mas, agora,
Chama-me
Consuma-me
No calor do teu fogo
Consuma-me
Puxa-me
Pega-me pelo cabelo e
Puxa-me
Encha-me
Encha-me de todo esse seu prazer
Encha-me
Deito-me
Viro-me
Adormeço-me
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Le fin
Os dois se olharam
Se olharam como se não existissem
Se abraçaram por conveniência
Se esqueceram daqueles anos de convivência
Se beijaram como se não sentissem
Os dois se foram
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Le Grand Finale
“Sofrendo com amor?
Uma navalha resolve”
Fim
Esse poema foi um dos vencedores do Concurso Literário do Colégio Visão. Espero que gostem.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Leveza
No One- Alicia Keys
Aquele sublime torpor tomou-me de súbito enquanto ascendia até minha zona livre. Todas as minhas certezas esvaíram-se quando aquela melodia invadiu meus ouvidos. Lembrava-me de tudo aquilo que eu lutava para esquecer, toda aquela mediocridade insensata, toda aquela insensatez medíocre.
Senti a dor desenrolar-se pelo meu rosto em pesadas gotas de memórias. Sentia-me um completo idiota ao fazer aquilo, mas fiz, não havia volta. Sentei-me na cama e coloquei para fora tudo o que não convinha e olhei para aquela estante.
Kafka encarava-me com um ar zombeteiro. Situação ridícula. Gregor estava morto. Gregor estava morto. Não importava o quanto a irmã chorasse. Não importava o quanto o pai bancasse o Napoleão. Gregor estava ali.
A caneta escorregou-me dos dedos e foi como um tapa na cara para tudo aquilo. Toda aquela situação. Toda essa vassalagem não tinha razão de ser.
Dura vita, bella vita, sed vita.
Confirmei meu papel ridículo ao rever, no colégio, aquelas mãos. Mas não há mais sentimento.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Identidade. Supremacia. Ultimato.
Dress to Killsábado, 6 de setembro de 2008
Misantropia
Panic At The Disco
Aqueles Cavalheiros Imaturos
E viveu feliz para sempre.
Gotas engolidas, bola pra frente. Um coração parou por uns instantes antes de que uma pequena centelha relembrasse-o de uma labareda. Sentou-se na escada de concreto e olhou para sua amiga.
Buscou-o com os olhos e ele estava abraçado a alguém, mas já não havia sentimento.
O que aconteceu?
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Inconstância Pueril
Aprendera os rudimentos da leitura por si só e preferiu esconder, porém, mais cedo ou mais tarde, tudo viria à tona. Na sua ignorância infantil, não tinha idéia de como isso seria assombroso para as cobras. Cobras estas que olhariam-no torto e destilariam pesadas acusações injustas. Mas a natalinas bolas vermelhas continuavam penduradas.
Olhou para a tela do computador. Dominara ao teclado e mouse, assim como aos livros, e colocara os maternos equívocos em xeque ao diferenciar as bandeiras. Um roxo hematoma dolorido surgira em seu imaculado e macio corpo como conseqüência da tentativa de alçar vôo pulando do sofá. Rudolph era uma farsa. Mas já não importava, o pequeno garoto havia cortado a rede de proteção da janela e atirado a tesoura por ela.
Não estava ciente da morte, tampouco da dor. Arrancara cada um de seus dentes de leite por si só, e assim continuaria pelo resto de sua inocência. Não temia o sangue, tocá-lo pela primeira vez não mudara sua conduta. Iria continuar quebrando a sua consciência.
Quase quebrara um dedo. A ginástica olímpica começava a agredir seu pequeno corpo, mas já assistia televisão, sem se lembrar do motivo do choro. Roeu uma unha.
Papai Noel sorria. O imaculado infante riu. A vida é realmente bela.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Uma tarde no inferno
My Chemical Romance - Teenagers
Se não falou, não falarei. Medíocre.
Não busquei seus olhos aguados, nem seu nariz profanado, nem suas mãos alvacentas, nem sua pele inconsistente como era costumeiro. Abri aquela publicação ridícula e sorri. Pequenez exonerada, bola pra frente. Poderia ter descido e buscado da melhor carne, mas optei(como sempre optava) por comer aquela massa oleada, justamente para ficar próximo ao cordeiro zebrado. Medíocre.
O sol queimava-me a face, protegi-me com a manga daquela segunda pele áspera e surrada. Por que eu sempre tenho que bancar o tolo? Simplesmente não sigo em frente? Que porra era aquela que eu fazia comigo mesmo e que eu fiz e vou continuar fazendo? Não vai parar. Medíocre
Encontrei uma bóia e me agarrei a ela, quando o pequeno pretensioso subiu, mas não ascendeu. Olhou para mim, um amigo frio percorreu minha espinha e senti lábios etéreos tocarem me a nuca.
Quisera eu ter-lhe para mim.
Fim.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Para ler e Ouvir.
Ana abriu os olhos, tirou sua camisola verde e deliciou-se dando piruetas nua pelo quarto. Girou com os braços abertos e parou. Parou na frente do espelho e olhou-se por completo. Curvou-se como se convidasse seu reflexo para uma dança. Valsou pelo quarto e foi até a sacada, quando viu que seus irmãos brincavam no jardim. Correu a esconder-se atrás das grandes cortinas de veludo e deitou-se na cama.
Ana abriu os olhos e vestiu seu vestido branco, que julgou adequado para uma manhã primaveril. Dançou nas pontas dos pés, calçou seus belos sapatos de cetim roxo e prendeu os cabelos num gracioso rabo-de-cavalo. Girou e rodopiou em direção às pesadas portas de marfim louro, deteve-se por uns instantes e arrulhou deliciosamente.
Ana abriu os olhos e desceu as escadas dançando e pulando de quatro em quatro degraus e deteve-se para mandar um beijinho para as pétreas gárgulas, humildemente curvadas, ajoelhadas ao fim da escada.
Ana abriu os olhos e saltitou em direção à sala de jantar, onde seu café-da-manhã sempre era servido. Empurrou as portas de cedro e deteve-se por alguns segundos. O aroma dos cravos-de-defunto invadiu suas narinas e fê-la esquecer a fome por uns instantes.
Ana abriu os olhos e viu que seu estômago roncava. Colocou as mãos ao redor da fina cintura e correu até a mesa. Pegando uma maçã da bem fornida mesa deu apenas uma pequena mordida a fim de sentir sua fina e delicada casca romper-se entre os dentes.
Ana abriu os olhos e correu pelo imenso cômodo a rolar o cheiroso fruto pelas mãos. Parou em frente a um vaso de flores, apartou um cravo, cujas pétalas começavam a murchar, e colocou-o entre os cabelos.
Ana abriu os olhos e chegou ao jardim no exato momento em que seus irmãos caíram sobre uma estátua de anjo, cuja cabeça rolou pelos chão de tacos. Ana fechou os olhos com o barulho e caiu ao chão.
Ana abriu os olhos e deu palmadinhas no vestido para limpá-lo. Correu pelo jardim em direção ao bosque escuro. Correu por entre árvores e dançou por entre mariposas adormecidas. Um focinho canino farejou-a e latiu.
Ana fechou os olhos e parou no meio de uma pirueta. Um disparo foi ouvido e Ana foi ao chão. O guarda-caças do castelo percebeu ser Ana e correu até seu corpo inerte. O cravou rolou-lhe dos cabelos e uma lágrima beijou-lhe a face. Ana fora dormir.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Explicações dispensáveis.
Vesti minha pele de cordeiro e juntei-me à matilha, olhei para meu alvo e sorri. Estava exatamente como eu imaginava: Inebriante.
Dei meu segundo gole daquela taça de absinto, joguei o resto no chão de giz e espalhei minhas balas de canhão, mas já era inútil pois existia um grão-vizir. Senti o chão girar sob meus pés e me sentei novamente. Sorri para aquele reflexo idiota que havia surgido no chão. Pensei em seus olhos e na sua boca.
Conformei-me e deitei-me.
Millôr Fernandes
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
A ricas famílias inglesas construíam suntuosos solares na região mas certamente a que chamava mais atenção era a residência de verão da família de Peter. Ao abrir o pesado portão de ferro fundido ele percebeu que a noite estava incomumente clara, a lua parecia imensa e tinha-se a impressão de que podia-se tocá-la com os dedos.
Peter passou apressado pelas gárgulas humildemente curvadas a quem quer que passasse, seus rostos tinham a expressão sombria de quem acompanha um enterro. Havia quase dois quilômetros de distância entre o portão e as portas de seu palacete. Agora já não se lembrava qual fora a grande motivação em sair àquela hora da noite, às pressas, para ir ao solar da família de Ulrich.
No auge de seus quinze verões de idade, Peter não era um grande exemplo de temperança. Desde suas constantes brigas com os colegas na exclusiva escola que frequentava em Londres, até seu relacionamento secreto com Ulrich, seu melhor amigo, Peter não gostava de medir suas ações. Seus segredos eram guardados sem grandes esforços, graças a liberdade concedida pelos pais, mas negada às irmãs que eram vigiadas por damas-de-companhia durante todo o tempo.
Peter andava completamente imerso em pensamentos que não percebeu o grande ser que se aproximava em um galope furioso pelo imenso e bem-cuidado jardim.
Os olhos cor de cristal de Ulrich estavam em sua mente quando o mastim do tamanho de um bezerro pulou em sua frente rosnando. Tomado de susto, Peter sentiu os pés grudarem no chão. Estava acabado.
O belo garoto começou a correr em direção a sua casa enquanto era perseguido por aquele demônio de quatro patas. Já via os contornos do castelo quando seu pai apareceu. Imediatamente o cão deitou-se com o rabo entre as patas.
-Pai! Eu pensei que ia...-Peter ofegava e correu para os braços do pai quando sentiu a bofetada arder em seu rosto.
Confuso com o acontecido, pois seu pai jamais lhe batera, peter vacilou o passo e caiu no chão.
-Não me chame de pai, seu bastardo. Eu já sei de tudo sobre vocês. - o pai tirou a cabeça de Ulrich de um saco de couro. Seus olhos estavam tomados de horror e a base do crânio ainda gotejava o sangue de onde o pescoço fora cortado. -Você era tão promissor, meu único herdeiro...
-Pai, não! - com um sinal do pai, o mastim se lançou com toda sua bocarra negra no pescoço de Peter arrancando-o de uma só mordida.
O pai olhou para o corpo inerte do filho na bocarra do cão e virou-se. Já não havia motivos para estar ali.
Inebriante.
Piso em morteiros como se fosse líqüido, devoro carne humana como se fosse justo, arranho mármore imaculado como se fosse possível.
Qual a sua razão para viver um amor desesperado e profano como se fosse morrer e ressurgir em cada esquina ou janela e não dizer adeus?
Vaguidão absoluta. Insana. Lacerante. Divina.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
Era o que se encontrava sobre a fria mesa pétrea. Nada que se dissesse poderia mudar o fato de que as flores há muito haviam morrido como se sequer tivessem existido, em seu lugar rosas injustas haviam sido posicionadas. A morte de um amor lapidado por anos de convivência causada por minutos de conveniência.
O sacrifício de um mal inconveniente se dá por meio da hipocrisia. Finjamos ser o que não somos, finjamos não ver o que vemos. Oh, Dorian, qual o motivo de sua solidão? Não há solidão alguma, pois está consigo mesmo.
O mais leve roçar de lábios é motivo o bastante para tentar.
sábado, 12 de julho de 2008
Fato:
Não há porquê, não há você.
Já não consigo olhar em seus olhos sem que minha garganta se feche, só de pensar em você meu corpo estremece.
Não há motivos reais, não há razões carnais.
Quero, espero.
Eu te amo.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Contudo Dona Baratinha não se abateu, foi até uma loja Versace e, para curar a infelicidade de ter sido desmascarada, se presenteou com seis saias, sete blusas, sete bolsas e sete pares de sapato. Ficou tão feliz consigo mesma por ser tão realizada que foi tomar café na Starbucks e acabou comendo mais um croissant de chocolate. Ao realizar que havia comido tantas calorias ela se matriculou numa academia Reebok, perto de casa. Porém se lembrou que suas toalhas estavam velhas e acabou por comprar três jogos de toalhas extra-grande, três jogos de lençóis egípcios de 300 fios e mais três travesseiros de pena de ganso.
Chegou em casa se sentindo a Dona Joaninha, quando se lembrou de calcular o quanto havia gasto naquela tarde, seu salário certamente não chegaria, mas não haveria problema pois ela trabalharia o dobro de horas extras no mês seguinte. Sentou-se toda pomposa na cadeirinha de sua pequena sala e pôs-se a calcular, e calcular, e calcular. Até que chegou a sinistra conclusão: Nem que trabalhasse como puta ganharia tanto.
Caiu em pranto, pois não conseguia se lembrar como conseguira ficar tão infeliz e pensava em como a vida era injusta com ela.
Pobre Baratinha, acha que é Joaninha.
terça-feira, 8 de julho de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
atroM amlA amU eD oriáiD
O céu vira uma mancha róseo-alaranjada e eu sinto o chão frio sob minhas costas nuas. Eu tento olhar em seus olhos novamente. Por favor, não olhe para cima e continue sorrindo ou eu vou chorar. A terra morta chora por não ter uma semente para germinar.
Seus olhos cristalinos já não são tão brilhantes. Por que está tão triste? Eu andei várias milhas antes de te encontrar, mas agora elas parecem tão distantes de mim pois estou com você. Eu quero segurar sua mão uma vez mais para então descansar. Deixe-os acenderem minhas velas, porque encontrei deus.