quarta-feira, 29 de junho de 2011

A súplica

Deixa, deixa eu ser sua

Em cada centímetro de pele escura

Meu peito aberto e a pele nua

Ser sua mulher, fazer loucura


Deixa, deixa eu ser bela

Na noite clara, na rua deserta

Larga a porta aberta

Ter um romance de novela


Deixa, deixa eu ser Juno

Quero parir deuses pro mundo

Esse nosso cochicho noturno

Meu coração moreno sem rumo


Deixa, deixa eu ser vexame

Escrava que te abane

Seja tu meu amante

Esse amor infame


Deixa, deixa eu ser flor

Nesse seu teatro sem ator

Minha raça, nossa dor

Seus palpites, seu calor


Deixa, deixa eu ser menina

E me deixa fora da sua agonia

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