sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Caçador

A Besta das Muitas Mãos me encarava através de Oníria. Sentia que estava no estado de torpor entre o da sonolência e o da embriaguez. Não olhava em seus olhos, mas sentia que queria devorar minha alma. E poderia, ainda que suas mãos estivessem acorrentadas.


A Besta me caçava há pouco tempo, o Deus de Galhos ainda corria entre as montanhas e o Salvador ainda não estava na cruz quando ela em achou pela primeira vez. Não aceitaria a coleira que lhe impus. Àquela época ainda tinha forças para lutar, mas em Kayros minha força se esvaiu, e agora ali, no Limbo, eu percebi que não conseguiria mais.


As sombras dançavam ante meus pés, mas não passavam do Umbral. Elas gritavam como uma plateia ensandecida, pois eu as havia colocado lá. Essa era sua vingança.


Alguém iria pagar por isso, e nesse momento era eu. Seu enorme corpo movimentava-se por trás do Éter quando senti. Foi então que vi o Deus dos Grandes Galhos a impedir aquele gládio. A Besta estava morta, seu sangue deu origem ao Mar Vermelho quando escorreu por Chronos.


Os cascos do deus ainda ecoavam pelo Cáucaso quando decidi que era hora de mudar. Chronos se distorcia ante meus olhos, mas Kayros era pleno.


Foi então que me tornei caçador.

Um comentário:

Vinny disse...

Oláááá!
Quanto tempo, nem sei se lembra do meu blog.Enfiim, muuuito bom o texto e lendo os outros também e parabééns pelo primeiro ano, completei um ano estes dias também.

Até breve, abraço ^^