domingo, 17 de julho de 2011

Divórcio na década de 50: Segundo a mulher;

Quando você vem

Meu corpo estremece

A alma emudece

A face se aquece

Assim você me tem

Quando você vem

Sei que traz as musas

Sei que traz as blusas

Sei que me abusa

Sei que me acusa

Bem como você faz bem

Quando você vem

Desde cedo,

Estou na janela.

Com medo,

Te espero, tão bela.

Meu apego,

Manifesto na capela.

Você sabe que me tem.

Quando você vem

Seu toque me acua

O seu cheiro me entorpece

A carne fria, rocha nua

O mundo estremece

O Sol, o brilho da Lua

O arrepio quando chama “Meu bem”.

Quando você vem

O dia se agita

O coração pula

A alma grita

O forno aqueço

O cachorro adula

Os erros esqueço

O beijo procuro

O grito, a palavra chula

O mau-humor aturo.

Quando você vem?

Quando você não veio

A casa sofreu

O cachorro esperou

O filho anunciou

Eu chorei

Eu cantei

Eu tentei

Eu sentei

O bolo solou

O jardim secou

A rosa morreu.

Por que você não veio?

Quando você se foi

O cachorro fugiu

Nosso filho perdi

Não mais cantei

Depois que você se foi.

Agora que você se foi

Ninguém conserta o telhado

Ninguém pega a panela do alto

Ninguém fuma na varanda

Ninguém me beija depois do café

Ninguém teme a guerra

Ninguém deixa bilhetes na mesa

Ninguem me inspira cuidados

Esta casa vazia

Esta vida vazia

A morte sozinha

A bebida sozinha.

Sei que você não me tem.

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