Quando você vem
Meu corpo estremece
A alma emudece
A face se aquece
Assim você me tem
Quando você vem
Sei que traz as musas
Sei que traz as blusas
Sei que me abusa
Sei que me acusa
Bem como você faz bem
Quando você vem
Desde cedo,
Estou na janela.
Com medo,
Te espero, tão bela.
Meu apego,
Manifesto na capela.
Você sabe que me tem.
Quando você vem
Seu toque me acua
O seu cheiro me entorpece
A carne fria, rocha nua
O mundo estremece
O Sol, o brilho da Lua
O arrepio quando chama “Meu bem”.
Quando você vem
O dia se agita
O coração pula
A alma grita
O forno aqueço
O cachorro adula
Os erros esqueço
O beijo procuro
O grito, a palavra chula
O mau-humor aturo.
Quando você vem?
Quando você não veio
A casa sofreu
O cachorro esperou
O filho anunciou
Eu chorei
Eu cantei
Eu tentei
Eu sentei
O bolo solou
O jardim secou
A rosa morreu.
Por que você não veio?
Quando você se foi
O cachorro fugiu
Nosso filho perdi
Não mais cantei
Depois que você se foi.
Agora que você se foi
Ninguém conserta o telhado
Ninguém pega a panela do alto
Ninguém fuma na varanda
Ninguém me beija depois do café
Ninguém teme a guerra
Ninguém deixa bilhetes na mesa
Ninguem me inspira cuidados
Esta casa vazia
Esta vida vazia
A morte sozinha
A bebida sozinha.
Sei que você não me tem.
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