quinta-feira, 8 de março de 2012

Descarga de Consciência

O Sol aparecia no zênite enquanto a Lua se partia.
O rubi refletido, o rubi refratado.
Ao longe olhos de citrino brilhavam brilhavam brilh
avam
m
.

Os olhos de ônix, oblíquos, mentirosos.
osos

ossos
.

A estrela morta, uma gigante vermelha, uma supernova.
Estrela de nêutrons, engolidora de galáxias.
Devoradora de almas.
As imensas algemas da distância que impedem o toque.
As belas pétalas da rosa-choque.
O choque da onda. Da maré. Do vento solar.

Este doce elixir, este seco veneno.
O entorpecimento induzido, a chama que não se apaga.
O fogo que não se acende, a brasa que arde em silêncio.
O mundo que gira, a noite que convida.

Engolidos fomos ao nascer.
Engo
Lidos
En
dos
lindos.

A cultura do massacre.
O aparentar.
O aparentado.
A voz silenciada do esquecido.
Esquecidos foram os mudos.
A música que se repete, a medalha que se compete.
As mesmas notas escorrem pelos meus ouvidos.
Ouvido o brado que pelo Ipiranga ainda ecoa, nada muda.

Secas ondas mecânicas que não agitam partículas, apenas constroem a arquitetura da destruição.
As guerras. Ah, as guerras.
Belas guerras, molas da civilização.
Guerras por comida?
Guerras por alucinação.

Minha rima fraca, meu bonde que para.
Os pelos que se arrepiam ao toque da faca.

Escorre ndo
És tu correndo.
Sois vós.
Correm as águas, voam as águias.
Correm as agulhas, máquinas de costura.
Vem a bomba!
Deitam-se os resíduos.
Rádio ativos.
Rádio passivos
Radio lários.

E estes mortos hilários
Imagens doentias.
No mundo branco, no mundo seco.
Na imensidão em que me cerco mais vasto é meu coração.

Nenhum comentário: