Grandes são as crianças, pois contêm em si o mundo inteiro. Vastas são suas sensações, a abrangência de seus atos. Pode-se abraçar o mundo com as pernas, nossa casa é a maior do mundo.
O que é a casa senão o útero do qual não queremos nos libertar?
Pequenos são os homens, pois não têm a magnitude infantil. Suas ações restritas pressupõem a morte do onirismo infante. Dizem que se deve alçar voo e deixar de vez o útero gerador.
No entanto, ocupamos um terceiro útero para nos sentirmos completos: O útero matrimonial.
Que são as esposas senão a segunda mãe?
Os menores seres do mundo são os adolescentes. Apesar da morte onírica, não temos controle das nossas vidas. Vivemos de influenciar o útero em busca daquilo que acreditamos ser bom, ainda que estejamos quase sempre errados.
Menores que lagartas, sem a mobilidade da borboleta, adolescentes são casulos. Imóveis e metamórficos.
Morremos aos poucos junto com nossos sonhos. A vida não se restringe à linearidade biológica. Somos feitos de 10% de lixo e 90% de sonhos.
Morrem os sonhos, morremos nós.
Nenhum comentário:
Postar um comentário