quinta-feira, 8 de março de 2012

O voz da folha

Não sou aquele que cantará a miséria humana.
Não sou o que vai gritar por liberdade.
Venho trazer meu canto soluçado.
Trago sementes no coração, trago o choro fininho.
A vastidão do meu ser, a plenitude da minha humanidade.
Tão humano quando um cão,
Meu grito não será pelas injustiças mundanas.
Tampouco pelo amor que descarrego no sangue.
Amor não me vale a poesia.

Sou filho da loucura,
Meu grito vem de longe
Meu grito vem do fundo
Grito como anjos em combate,
Grito como demônios que se divertem.

A loucura me apraz.
O sofrimento é inerente ao ser humano
A dor é inerente e transcende a própria existência
O desespero é inerente aos sentimentos.

Não digo que não amo
Nada disse, nada digo.
O nada é belo por ser tão relativo.
A falta do amor não é morte, mas o estopim dela.
Não vou envenenar-me desse sentimento.

Diz-se que a dor educa e o sofrimento engrossa a casca.

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