Revirei a terra com as mãos, a sujeira enterrou-se em minhas unhas. A cor da terra somou-se à minha pele parda. A carne cor de terra que um dia seria devorada pelo chão.
Correndo de braços abertos para a morte, meu tapa-olho de pirata que balançava ao sabor de Bach.
E saber que, em família, melhor seria ser filho da outra, no caso, a santa.
Perceber que poer é coisa de poetisa.
Perceber que a existência é a catacrese do existencialismo.
Perceber que, se tratando de metáforas, o vice mata o versa enquanto este devora aquele.
O niilismo que te rasga as veias é coisa do passado.
Saber que o eterno beijo de Netuno e Urano não é mais que um abraço entre Eros e Tânato.
Perceber que a cada falha, uma corça quebra os chifres.
Perceber que a cada derrota, um César é filho do papa.
Perceber que a cada morte, um Malthus chora e nem vê.
O príncipe que não habitar na linhagem do derrotado, deve eleger ministros que extinguam o Estado, ou que o tomem para si.
Saber que na gênese da avenida fica a sede de Poder Nenhum.
Perceber que é no seu fim que a metáfora é um final aberto.
Perceber que é na rima fraca que o poeta morde a língua.
Perceber que é impossível e invariável passar das primeiras páginas.
A terra, a carne, a cor.
A Terra, o sangue, o rubor.
Saber que Andrômeda não terá Perseu.
Perceber que o gado de Gideão não é per capita.
Perceber que a guillotine não é por cabeça.
E mostrar aos meus semelhantes que refratados serão todos desiguais.
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